O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um procedimento investigatório para apurar a participação do senador Flávio Bolsonaro em possíveis crimes relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
A decisão alcança suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos. O procedimento está vinculado ao INQ 5026, que acompanha desdobramentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master.
A ordem foi assinada em 22 de julho e se tornou pública depois da retirada parcial do sigilo da investigação. A Procuradoria-Geral da República concordou com a apuração solicitada pela Polícia Federal.
Recursos para a produção
Áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro indicam que ele pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para custear o projeto. Segundo a Polícia Federal, mais de R$ 60 milhões foram pagos.
No material, o senador cobra uma posição do banqueiro sobre parcelas atrasadas e afirma que o filme estava em uma etapa decisiva. Flávio Bolsonaro nega ter cometido irregularidades na captação dos recursos.
Há duas investigações no STF relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”. Uma delas trata do uso de emendas parlamentares e está sob responsabilidade do ministro Flávio Dino. A outra, conduzida por André Mendonça, acompanha os desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master. É nesse segundo procedimento que foi incluída a apuração sobre Flávio Bolsonaro.
No despacho, Mendonça afirma que a investigação deve examinar a possível prática de “lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos”. Com a autorização, a Polícia Federal poderá realizar diligências para esclarecer os fatos.
Delação e transferências ao exterior
A decisão também se relaciona a informações apresentadas pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos. O acordo de delação premiada dele foi homologado por Mendonça na terça-feira, 8.
Freixo Júnior relatou que produzia dinheiro em espécie e o entregava, em malas, a pessoas ligadas a Daniel Vorcaro. Ele também afirmou manter uma conta conjunta com o banqueiro para o pagamento de despesas e entregou comprovantes de operações de câmbio e documentos sobre remessas internacionais.
Entre os registros estão transferências para o Havengate Development Fund LP, no Texas (EUA). O fundo era administrado pelo advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro no exterior.
Com base em comprovantes e conversas do celular de Vorcaro, os investigadores identificaram o envio de ao menos US$ 10 milhões, equivalentes a R$ 61 milhões na época. A justificativa apresentada para a transferência era o patrocínio de “Dark Horse”.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República ainda analisam o destino final do dinheiro e cruzam os documentos de câmbio entregues na delação com dados encontrados no celular do banqueiro. O objetivo é verificar as suspeitas de evasão de divisas e identificar os destinatários dos valores em espécie.



