BELO HORIZONTE — Moradores da Região Metropolitana de Belo Horizonte enfrentam longos deslocamentos, ônibus superlotados e atrasos constantes. Em alguns casos, o trajeto entre casa e trabalho chega a quatro horas por dia. A falta de integração com o metrô amplia as dificuldades para quem depende do transporte público.
A doméstica Andreia Aparecida sai de casa às 6h e utiliza três ônibus na ida e outros três na volta. Mesmo assim, não consegue chegar no horário. "É uma bagunça, chego atrasada todos os dias", afirmou.
Metrô e transporte coletivo
O autônomo Miguel Almeida Silva, morador de Justinópolis, em Ribeirão das Neves, leva cerca de uma hora no trajeto do Move entre o Centro de BH e o terminal metropolitano. Depois, precisa esperar um ônibus alimentador para chegar ao bairro. Se perder o veículo, o intervalo é de uma hora. Ao todo, ele passa até quatro horas do dia no transporte.
A Grande BH tem uma rede de metrô com 30 quilômetros de extensão e cerca de 100 mil passageiros por dia. Depois da inauguração da Estação Vilarinho, em 2002, o sistema passou 24 anos sem expansão, até ganhar uma nova estação na Linha 1 e iniciar as obras da Linha 2.
Para Guilherme Leiva, arquiteto, urbanista e professor do Cefet-MG, ônibus e metrô precisam funcionar de maneira complementar, com uma rede que evite a sobreposição de linhas e a concentração dos deslocamentos em um único destino.
Ferrovias, rodovias e áreas de risco
Minas Gerais tem a maior malha ferroviária do país, com quase 5 mil quilômetros de trilhos. Metade, porém, não tem operação diária. Ana Carolina Simplício, professora do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet-MG, avalia que a recuperação desses trechos poderia ampliar a competitividade dos produtos e integrar rodovias e ferrovias.
A malha rodoviária mineira também é a maior do país, com mais de 270 mil quilômetros, dos quais 10% são estaduais. Entre os 27 mil quilômetros sob responsabilidade do Estado, quase 5 mil ainda não receberam asfalto. Um estudo da Confederação Nacional do Transporte apontou que as condições das estradas aumentam em 35% o custo do transporte de cargas.
Os problemas também atingem áreas sujeitas a eventos climáticos. Belo Horizonte, Ribeirão das Neves e Juiz de Fora estão entre as dez cidades brasileiras com mais moradores em áreas de risco geológico. Em Juiz de Fora, a casa da aposentada Normélia Oliveira foi interditada após um temporal, por ficar ao lado de uma pedreira com moradias no topo.
O especialista em hidrologia Nilo Nascimento defende estudos mais detalhados sobre riscos de inundação e seca e afirma que as iniciativas de prevenção ainda são insuficientes.



