Flamengo e outros clubes do Brasileirão divulgaram um manifesto contra a possibilidade de o Governo Federal editar uma Medida Provisória para proibir jogos de cassino online. O comunicado foi publicado em conjunto na noite desta quinta-feira (17), com o título “fim do futebol”.
Flamengo, Palmeiras, Santos, São Paulo, Botafogo, Fluminense e Vasco estão entre os clubes que divulgaram o mesmo texto. As federações Paulista e do Estado do Rio de Janeiro também publicaram o comunicado.
Clubes defendem manutenção do mercado regulado
As equipes afirmam que as empresas de apostas autorizadas se tornaram uma das principais fontes de receita do esporte. O manifesto também sustenta que os recursos chegam a clubes de menor expressão, divisões de acesso e competições com menor exposição comercial.
O documento reconhece os impactos sociais provocados pela expansão das apostas e defende medidas de proteção, fiscalização, educação e prevenção. Para os clubes, a regulamentação permite ao Estado fiscalizar o setor, responsabilizar empresas que descumprem a lei e combater plataformas clandestinas.
“Inviabilizar esse modelo não fará com que as apostas deixem de existir”, afirma o texto. Segundo o comunicado, uma eventual proibição levaria consumidores a plataformas que não pagam impostos, não respeitam limites, não oferecem instrumentos de proteção e não colaboram com as autoridades.
O manifesto declara ainda que os contratos firmados pelos clubes e os planejamentos financeiros foram construídos com base no marco regulatório estabelecido pelo Estado. As receitas das apostas, segundo o documento, ajudam a manter estruturas administrativas, centros de treinamento, profissionais, projetos sociais, futebol feminino e a formação de futuros talentos.
Medida Provisória ainda não foi apresentada
A Medida Provisória ainda não foi apresentada, mas o texto está pronto e deve ser encaminhado na próxima terça-feira (22). Uma ala do Governo tenta convencer o presidente Lula a proibir apenas alguns jogos específicos, como o Tigrinho, sem afetar as casas de bets.
A criação da medida é associada aos impactos das apostas sobre a renda das famílias brasileiras, principalmente as mais humildes. O texto informa que, somando todos os times da Série A, as casas de apostas investem R$ 1 bilhão por ano.
Ao final, os clubes defendem o combate à ilegalidade, o fortalecimento da fiscalização e o aperfeiçoamento dos mecanismos de proteção, sem o fim do mercado regulamentado. O comunicado afirma que o futebol está disposto a colaborar com o Governo Federal, o Congresso Nacional e as autoridades estaduais e municipais.
A mensagem termina com a afirmação de que, se o mercado regulado acabar, as apostas não deixarão de existir e o futebol será afetado.



