O candidato do Republicanos ao governo de Minas, Cleitinho Azevedo, afirmou que pretende renegociar com a União as parcelas da dívida estadual por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), caso seja eleito. Ele também propôs revisar as isenções fiscais concedidas pelo estado e avaliar as contrapartidas oferecidas pelas empresas beneficiadas.
Cleitinho participou, nesta sexta-feira (18), do quinto episódio de uma série de sabatinas. A programação seguirá até o próximo sábado (19), com seis candidatos convidados a partir da pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Instituto Datafolha em 11 de setembro.
Dívida, arrecadação e isenções
O candidato classificou o Propag como um “mal necessário” e disse que suas emendas ao projeto não foram incorporadas ao texto final por motivos políticos. Ele citou o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e afirmou que a disputa eleitoral em Minas influenciou a tramitação da proposta.
Para Cleitinho, parte dos recursos pagos ao governo federal deveria permanecer no estado para investimentos em infraestrutura e saúde. Ele disse acreditar na possibilidade de uma nova negociação com a União, independentemente de quem ocupe a Presidência da República.
Como alternativa, caso a renegociação não avance, o candidato afirmou que pretende aumentar a arrecadação, buscar investimentos privados, revisar incentivos fiscais e fazer uma reforma administrativa para reduzir despesas. Também defendeu uma atuação mais próxima de empreendedores e produtores rurais.
“Eu quero ver cada isenção porque estava em sigilo, qual que foi a contrapartida”, afirmou Cleitinho ao falar dos benefícios fiscais.
Assembleia, saúde e servidores
Cleitinho prometeu manter diálogo com deputados da base, da oposição e de blocos independentes. Ele disse que pretende reunir os parlamentares de 15 em 15 dias para discutir demandas e críticas ao governo, sem orientar a administração por disputas ideológicas.
Na saúde, afirmou que pretende concluir hospitais regionais pendentes, citando o Hospital Regional de Divinópolis, e reduzir a fila de cirurgias eletivas. A proposta é articular com deputados estaduais o direcionamento de emendas parlamentares para consórcios de saúde. O candidato estimou que a fila poderia ser reduzida significativamente em um ano e meio de governo.
Ele também prometeu estabelecer metas para a Secretaria de Estado de Saúde e declarou que não pretende disputar a reeleição se não cumprir os compromissos assumidos. Para os servidores estaduais, defendeu a recomposição anual da inflação, incluindo profissionais da educação, da saúde, da segurança pública e de outras áreas.
Transporte e contratos
Na mobilidade urbana, Cleitinho afirmou que pretende ampliar projetos de transporte sobre trilhos e revisar contratos de concessão do transporte coletivo. Ele criticou as tarifas e as condições dos ônibus e defendeu a avaliação dos contratos firmados com empresas do setor.
Sobre o Rodoanel da Grande BH, disse que a prioridade deve ser destravar o projeto em discussão na Justiça e executar a obra com os recursos já previstos. O redirecionamento do dinheiro para outras intervenções, segundo ele, só deveria ser considerado se o empreendimento não puder ser viabilizado.
O candidato também afirmou que pretende revisar contratos e concessões que, em sua avaliação, não tragam benefícios para a população mineira.
Doações e relação com aliado
Questionado sobre doações de empresários de setores sujeitos a licenciamento ambiental, Cleitinho disse que sua campanha é financiada por recursos privados e negou que os contribuintes terão privilégios em um eventual governo. Ele afirmou que as decisões da administração serão orientadas pelo interesse público e pela transparência.
Sobre o deputado federal Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos, o candidato disse que o conheceu durante a campanha ao Senado em 2022 e que nunca tratou com ele de assuntos ligados às investigações sobre descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Cleitinho afirmou que não é investigado no caso e que eventuais responsabilidades devem ser individuais.
Ele também declarou que manterá diálogo com o presidente da República, qualquer que seja o resultado da eleição, e que pretende conversar com diferentes grupos políticos caso assuma o governo de Minas.



