O candidato ao governo da Bahia pela Unidade Popular, Aroldo Félix, afirmou que pretende interromper a construção da Ponte Salvador-Itaparica caso seja eleito. A declaração foi dada durante entrevista do projeto Bahia na Palma da Mão, exibida nesta sexta-feira (11), e teve como justificativa a proteção ambiental da Baía de Todos-os-Santos e das comunidades que dependem da pesca e da mariscagem.
“nós não vamos realizar essa obra, ela vai parar no nosso governo”, declarou Félix. O candidato também afirmou que a prioridade seria preservar a natureza, as marisqueiras e os pescadores que vivem dessa atividade econômica.
Obras e proteção ambiental
A construção da ponte começou em julho deste ano e inclui, além da estrutura sobre a Baía de Todos-os-Santos, túneis e viadutos em Salvador para fazer a conexão com a Via Expressa. O projeto prevê ainda uma nova rodovia em Vera Cruz e a duplicação de trechos da BA-001. A ponte terá 12,4 km de extensão.
Ao responder sobre a Região Metropolitana e o nordeste baiano, Félix voltou a defender a proteção das comunidades tradicionais e relacionou essa proposta à paralisação da obra.
Agricultura, terras e mineração
Na discussão sobre o Centro-norte e o Vale do São Francisco, o candidato disse que a agricultura familiar será uma prioridade. Entre as propostas, estão parcerias com pequenos produtores, a reestatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) e das Cestas do Povo, além da responsabilidade do estado por parte da compra da produção dos pequenos agricultores.
Félix também afirmou que pretende aumentar o salário mínimo em 100% e investir na produção de energia eólica e solar para reduzir os custos de irrigação e de outros equipamentos usados no campo. A região reúne 107 municípios.
Para o Oeste, que tem 24 municípios, o candidato defendeu a demarcação das terras de comunidades tradicionais de fundo de pasto e o aumento da fiscalização contra a grilagem. Ele afirmou ainda que a produção regional equivale ao triplo do necessário para alimentar a população baiana e que esse potencial poderia ser usado no combate à fome.
No Centro-sul, com 118 municípios, Félix disse que não permitirá a exploração predatória por grandes mineradoras e multinacionais. A proposta inclui a regularização das atividades e a preservação das nascentes dos rios. Ele citou a Serra da Chapadinha, na Chapada Diamantina, transformada recentemente em Área de Proteção Ambiental.
Segurança pública
Sobre o Sul, região com 70 municípios, o candidato defendeu o uso de ações de inteligência e parcerias com as polícias Rodoviária Estadual e Federal para combater o fornecimento e a distribuição de drogas. Também afirmou que pretende impedir a “matança” contra os povos indígenas na região.
A Região Metropolitana e o nordeste baiano, abordados na última parte da entrevista, reúnem 98 municípios. O candidato destacou novamente a necessidade de proteger as populações tradicionais diante da pressão sobre áreas ambientais e da valorização dos terrenos.
A entrevista foi conduzida pelo apresentador Fernando Sodake. O projeto Bahia na Palma da Mão apresentou entrevistas com candidatos ao governo da Bahia a partir de temas relacionados às diferentes regiões do estado. Aroldo Félix foi o último entrevistado da série.



