A Justiça decretou a prisão preventiva de Rafael Egg Macedo, Rodrigo Otávio Andrade e Ana Luiza Guimarães Carvalho em uma investigação sobre possíveis irregularidades durante uma operação policial na Região da Pampulha. Rafael foi preso e teve a custódia mantida após audiência nesta terça-feira (15). Rodrigo e Ana Luiza não foram localizados e seguem foragidos.
O caso ocorreu em 7 de agosto e foi registrado pelos próprios policiais. As imagens levantaram dúvidas sobre a origem de um tablete de maconha apreendido em uma casa e passaram a ser analisadas pela Corregedoria da Polícia Civil.
Como foi a operação
Policiais do Departamento Estadual de Combate ao Narcotráfico (Denarc) cumpriram um mandado de busca e apreensão no imóvel. O alvo era Matheus Bruno Andrade Fernandes, filho de uma policial civil.
Durante a ação, os agentes encontraram uma pistola 9 mm com kit rajada dentro de uma gaveta. Depois, anunciaram a localização de um tablete de maconha de 740,43 gramas em uma sapateira no mesmo quarto. Também foram apreendidos 42 munições e rádios comunicadores.
A família não contesta a apreensão da arma, mas afirma que a maconha não estava no quarto. Nas gravações, a sapateira aparece durante uma primeira vistoria sem que o pacote possa ser observado entre os calçados. Em seguida, os policiais retornam ao cômodo e anunciam a apreensão da droga.
Matheus e o pai, Bruno Gleidson Fernandes, contestaram imediatamente a localização do tablete. Os dois estão presos desde a operação. Segundo a defesa, eles são investigados por tráfico de drogas, e Matheus também responde a investigação por posse ilegal de arma de fogo. Pedidos de liberdade foram apresentados à Justiça.
O que é investigado
A Corregedoria identificou possíveis irregularidades na operação. Rafael teria entrado na residência com um "aparente volume irregular" na perna esquerda da calça e, depois, anunciado sozinho onde a droga estaria. Ana Luiza teria solicitado que ele voltasse ao quarto sem a presença de testemunhas.
Rodrigo, apontado como chefe da equipe, teria coordenado a abordagem e mantido Matheus e Bruno privados de liberdade. A apuração considera possíveis crimes de tráfico de drogas, denunciação caluniosa, cárcere privado, falsidade ideológica e associação criminosa.
A investigação tenta esclarecer como o tablete chegou à sapateira, quem o colocou no local e se o volume observado na roupa de Rafael tinha relação com a droga. As imagens são examinadas para reconstruir a movimentação dos agentes e a sequência dos acontecimentos. Também é apurada a participação de cada policial e um eventual envolvimento de outros agentes.
A defesa de Rafael nega as condutas ilegais atribuídas a ele e afirma que as acusações precisam ser comprovadas. A defesa de Rodrigo também nega a participação dele nos crimes investigados. A defesa de Ana Luiza não havia sido localizada. A Polícia Civil declarou que não compactua com eventuais desvios de conduta de servidores e reafirmou o compromisso com uma apuração isenta e rigorosa.



