A inclusão do cartão CredCesta em programas sociais do governo federal e os contratos de patrocínio do Banco Regional de Brasília (BRB) estão no foco de investigações que envolvem integrantes do antigo governo Jair Bolsonaro, o banco Master e a instituição financeira brasiliense.
João Roma, ex-deputado e ministro da Cidadania entre 2021 e 2022, levou o CredCesta para programas federais. O cartão, operado pela Visa, foi incluído em rubricas orçamentárias que permitiam a servidores da União utilizar a modalidade, descrita como uma combinação de vale-refeição e crédito consignado.
O produto era associado a Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Master. De acordo com as informações apresentadas, Lima entrou na sociedade após levar o cartão ao banco. Naquele período, o CredCesta tinha seis milhões de associados. A medida ampliou a base de clientes do Master e abriu espaço para a oferta de outros investimentos, entre eles certificados de depósitos bancários com remuneração de 150% do CDI.
Em 2022, o Master também foi consultado para avalizar tecnicamente um sistema relacionado a linhas de crédito populares e à ampliação de limites para correntistas das classes C, D e E. A iniciativa estava ligada a decretos do Ministério da Economia e a programas sociais federais.
CredCesta sob análise
Atualmente, o CredCesta é apresentado como um programa nacional administrado pela Visa, com quase 20 milhões de associados. A partir da próxima segunda-feira, 24 de novembro, o programa deverá passar por uma análise ampla, com possibilidade de descredenciamento por órgãos públicos federais.
Os atos do extinto Ministério da Cidadania e do Ministério da Previdência Social durante o governo Bolsonaro estão sendo examinados pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pelo Banco Central. Ônyx Lorenzoni comandava a Previdência Social em parte desse período.
Contratos do BRB
Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, reuniu-se com o governador Ibaneis Rocha no Palácio do Buriti às 11h da sexta-feira, 21 de novembro. Costa havia retornado dos Estados Unidos após a deflagração da Operação Compliance Zero e se apresentado à Polícia Federal e ao Ministério Público por meio de seus advogados.
Os atuais gestores do banco terão de explicar o volume de patrocínios esportivos. O contrato com o Flamengo prevê R$ 40 milhões por ano para o cartão de crédito Fla, com possibilidade de dobrar esse valor. O piloto Gabriel Bortoleto pode receber até R$ 21 milhões por ano, conforme seu desempenho, para divulgar a marca do BRB no macacão.
A Alpine recebe R$ 2 milhões trimestrais do banco. Os contratos de Bortoleto e da escuderia foram negociados pelo pai do piloto, Lincoln Oliveira, diretamente com Paulo Henrique Costa, após determinação do governador.
No 1º trimestre de 2025, o BRB gastou R$ 26,2 milhões com patrocínios esportivos e culturais. Para este ano, a instituição estimava desembolsar até R$ 118 milhões na rubrica de patrocínios diversos.




