A Ponte Preta deixou para trás a comemoração pelo primeiro título nacional de sua história e passou a enfrentar a maior crise de seus 126 anos. Campeã da Série C do Campeonato Brasileiro em 2025, a equipe está na lanterna da Série B e caminha para voltar à terceira divisão.
O clube soma somente 10 pontos em 25 rodadas. Se não vencer o São Bernardo neste domingo (6), no Moisés Lucarelli, às 18h30, chegará a 20 partidas consecutivas sem ganhar na segunda divisão. A marca seria o maior jejum da competição na era dos pontos corridos, iniciada em 2006.
A sequência atual tem apenas três pontos, obtidos nos empates com Botafogo-SP, Athletic e Náutico. São 16 derrotas no período. A mais recente ocorreu depois que o elenco entrou em greve, alegando atraso salarial superior a seis meses.
Salários atrasados e elenco desfalcado
Filipe Rino, advogado que representa os jogadores envolvidos no movimento, afirmou que a insatisfação também está relacionada à falta de atuação da diretoria. Segundo ele, atletas que estão no clube desde o começo da temporada trabalharam por cerca de oito meses e receberam o equivalente a dois meses de salário, em pagamentos parcelados.
A paralisação foi seguida pela saída de jogadores, que passaram a buscar na Justiça Desportiva a rescisão indireta dos contratos. Léo Gomes e Daniel Baianinho estão entre os casos recentes. O empréstimo de Baianinho terminou após uma decisão judicial.
Sem os principais atletas, o técnico Gilson estreou no último domingo (30) com jogadores das categorias de base. A medida evitou que a Ponte Preta perdesse por WO para o América-MG. A equipe segurou o adversário no primeiro tempo, mas sofreu dois gols na etapa final. Foi a 19ª derrota na Série B, igualando a sequência do ABC em 2015.
Os jogadores decidiram voltar aos treinos mesmo sem a regularização dos salários. Rino disse que a retomada ocorreu porque a diretoria não apresentou respostas nem pagamentos e também para impedir prejuízos ainda maiores ao clube e à torcida.
A diretoria reconhece os atrasos e considera legítimo o direito de paralisação. O vice-presidente de futebol, Marco Antonio Eberlin, afirmou: “Aquele que não recebe o salário tem o direito à greve, tem o direito à paralisação, como em qualquer outra profissão”.
Dívida e proposta de SAF
Além da crise na Série B, a Ponte Preta foi rebaixada no Campeonato Paulista deste ano, com 1 ponto em 8 jogos. Eberlin estima a dívida do clube em R$ 380 milhões e afirma que a antiga gestão deixou um passivo de R$ 400 milhões. O déficit mensal informado por ele é de R$ 2,8 milhões.
O presidente Luiz Antônio Alves Torrano atribui a situação a débitos acumulados por diferentes administrações. De acordo com a diretoria, a dívida começou a crescer nos anos 1990 e atingiu o ponto mais alto em 2021.
A saída defendida pela direção é transformar o departamento de futebol em SAF, sem incluir toda a instituição. A proposta prevê R$ 1 bilhão em investimentos: R$ 300 milhões para dívidas, R$ 300 milhões para o futebol e as categorias de base ao longo de dez anos e R$ 400 milhões para modernizar o Moisés Lucarelli e o centro de treinamento.
O Conselho da Ponte Preta se reunirá no próximo dia 19 para votar a alteração estatutária necessária. A decisão não aprova automaticamente um investidor ou contrato de SAF. Segundo Eberlin, o objetivo inicial é autorizar a transformação do departamento de futebol.



