O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) descartou a criação de uma linha de crédito para clubes de futebol afetados pelo fim dos patrocínios de plataformas de apostas no Brasil. A possibilidade vinha sendo considerada durante as discussões sobre a Medida Provisória (MP) que proibiu as operações dessas empresas no país.
Na última quinta-feira (24), clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro avaliaram pedir apoio financeiro ao Governo Federal. O BNDES chegou a ser cogitado como alternativa para reduzir os efeitos da perda de contratos com casas de apostas.
Em nota, porém, o banco negou que tenha participado de debates sobre o tema e afirmou que seu estatuto impede financiamentos para clubes de futebol. “O BNDES não participou de qualquer discussão ou debate externo ou interno sobre a possibilidade de financiar clubes de futebol”, informou a instituição.
A proibição das operações de plataformas de apostas esportivas foi determinada pelo Governo Federal na última sexta-feira (25). O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de outros integrantes da pasta.
Dependência dos patrocínios
Dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, 14 têm marcas de plataformas de apostas como patrocinadoras master. Entre os acordos citados estão Betano e Flamengo; Sportingbet e Palmeiras e Vasco; Betnacional e Cruzeiro; e Superbet com Fluminense e São Paulo.
O Flamengo é apontado como um dos clubes mais expostos à medida. O contrato com a Betano garante ao clube uma receita fixa de R$ 268 milhões por temporada, considerada a maior negociação de patrocínio do futebol brasileiro.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, afirmou que o clube ainda não tem uma alternativa para substituir os contratos. Ele disse que o impacto sobre as receitas do próximo ano pode chegar a R$ 400 milhões, considerando os efeitos diretos e indiretos do fim do patrocínio.
“Eu estaria mentindo se dissesse que a gente tem um plano B para isso. Não temos”, declarou Baptista. O dirigente também afirmou que o clube assumiu compromissos de longo prazo com base em contratos que considerava legais e que a mudança gerou preocupação sobre a capacidade de cumprir essas obrigações.



