RIO DE JANEIRO — O desaparecimento de Priscila Belfort continua sem desfecho, mais de duas décadas após ela deixar o trabalho e não ser mais localizada. O ex-delegado e especialista em segurança pública Jorge Lordelo apontou a defasagem tecnológica da época, depoimentos falsos e lacunas no inquérito como fatores que dificultaram as apurações.
O desaparecimento
Priscila tinha 29 anos e trabalhava na Secretaria Municipal dos Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. Em 9 de janeiro de 2004, por volta das 13h, ela saiu do prédio onde trabalhava, no Centro do Rio, para o horário de almoço. Depois disso, desapareceu.
As tentativas de contato telefônico feitas no mesmo dia alertaram a família. Naquele período, a polícia tinha poucos recursos para rastreamento digital e não havia uma rede ampla de câmeras de segurança nas ruas cariocas. Com isso, não foi possível estabelecer com precisão o trajeto percorrido por Priscila depois que ela deixou o escritório.
A principal hipótese nos primeiros meses era a de sequestro. O caso também foi afetado por boatos que associavam a jovem ao uso de entorpecentes. A família desmentiu essa versão, e não foram apresentadas provas materiais que a sustentassem.
Depoimento que mudou a investigação
Em 2007, Elaine Paiva da Silva procurou o Ministério Público e afirmou ter presenciado o assassinato de Priscila por quatro traficantes, supostamente motivado por uma dívida. Ela levou as autoridades até uma área de mata onde o corpo estaria enterrado, mas as escavações não encontraram nada.
Pressionada pelos investigadores, Elaine admitiu ter inventado o relato. Os suspeitos que haviam sido detidos foram soltos, e a investigação voltou ao ponto inicial.
Embora um eventual crime de homicídio tenha atingido o prazo de prescrição de 20 anos em 2024, o inquérito sobre o desaparecimento permanece oficialmente aberto. A série documental “Volta, Priscila”, do Disney+, impulsionou novas discussões sobre o caso.
A família e analistas defendem a apuração de lacunas antigas, incluindo a análise dos últimos círculos de convivência de Priscila e a formalização de depoimentos de pessoas próximas que não foram registrados na época.
A mãe de Priscila, Jovita Belfort, também atua na defesa da “Lei do Alerta Pri”, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. A iniciativa foi criada para otimizar as buscas por pessoas desaparecidas no estado. O irmão dela, Vitor Belfort, continua falando publicamente sobre o caso.



