Aos 81 anos, Ana Lúcia Torre afirma que continua disposta a experimentar novos papéis, relações e desafios profissionais. A atriz estará em Um Tio Quase Perfeito 3, que estreia no dia 8 de outubro, interpretando Cecília, uma trambiqueira que também se abre para a possibilidade de um novo amor.
No filme dirigido por Pedro Antonio, Cecília é mãe de Tony, personagem de Marcus Majella. A história começa quando Tony se sente abandonado depois que os sobrinhos crescem e se tornam independentes. A situação muda ao encontrar um bebê deixado na porta de casa. Letícia Isnard e Danton Mello também estão no elenco.
Para Ana Lúcia, a representação do amor e da sexualidade na maturidade ainda enfrenta preconceito. Ela critica a ideia de que pessoas mais velhas devem abandonar desejos, relacionamentos e atividades. “O corpo envelhece, mas a mente, o coração e o desejo não”, declarou.
Liberdade e novos personagens
A atriz conta que hoje se sente mais livre do que quando tinha 40 anos. Naquela época, precisava conciliar o trabalho com os cuidados do filho e da casa, responsabilidades que assumiu sozinha. Agora, com o filho criado e os netos grandes, diz que pode se permitir experiências que antes pareciam impossíveis.
Em outubro, Ana Lúcia completa 61 anos de carreira no cinema, no teatro e na televisão. Ao longo desse período, atuou em comédias, dramas, farsas e musicais. Entre os desejos profissionais está interpretar uma senhora dona de um bordel elegante, que proteja as mulheres que trabalham no local.
A atriz também afirma gostar do humor porque ele permite tratar de temas difíceis por meio do riso. Ela cita personagens como Débora, de Alma Gêmea, que continua sendo lembrada em memes, e trabalhos como O Outro Lado do Paraíso e Arsênico e Alfazema.
Trabalho depois dos 80
Ana Lúcia estreou um monólogo em outubro de 2025 e já tem apresentações agendadas até julho de 2027. Para ela, a atividade profissional mostra que artistas com mais de 80 anos podem continuar ocupando diferentes espaços.
A atriz diz que nada, por enquanto, a faz pensar em parar. “Não existe nada, nada, agora, que me faria pensar em parar”, afirmou. Ela relaciona a disposição para trabalhar à vontade de viver, ao cuidado com o corpo e à manutenção de uma mente ativa.
Sobre recomeços afetivos, Ana Lúcia defende que eles podem acontecer em qualquer idade. Para ela, relações na maturidade envolvem companhia, carinho, compreensão e diversão, sem excluir a possibilidade de sexo. Também reconhece que, com o passar dos anos, as pessoas podem ficar mais exigentes na busca por um parceiro.



