Marco Aurélio de Carvalho, coordenador jurídico da campanha presidencial do PT e advogado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, defendeu uma reação do governo à decisão de André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A manifestação ocorreu nesta terça-feira.
O advogado afirmou que Luiz Inácio Lula da Silva deveria recorrer ao plenário do Supremo Tribunal Federal antes de cumprir a determinação. Também sugeriu a convocação do Conselho da República para discutir o que classificou como uma grave crise institucional.
A atuação de Marco Aurélio ocorre enquanto Mendonça relata, no STF, investigações sobre uma suposta atuação de Lulinha em negócios com órgãos do governo. A Procuradoria-Geral da República pediu que duas dessas apurações sejam encaminhadas à primeira instância. Entre os casos estão uma investigação relacionada à Dataprev e outra ao Ministério da Saúde. Mendonça ainda não decidiu sobre os pedidos, e a defesa de Lulinha nega irregularidades.
Reclamações sobre vazamentos
Há menos de duas semanas, Marco Aurélio procurou Andrei Rodrigues e o ministro da Justiça, Wellington César, para reclamar da divulgação de informações das investigações envolvendo Lulinha. O advogado sustentava que dados sigilosos estavam sendo divulgados de forma seletiva e também buscava uma reunião com Mendonça para discutir o assunto.
A questão já havia sido levada ao presidente. Em 19 de agosto, Marco Aurélio se reuniu com Lula e Fernando Haddad no Palácio da Alvorada. Embora a pauta principal fosse a campanha presidencial em São Paulo, o advogado apresentou queixas sobre os vazamentos relacionados ao filho do presidente.
Na ocasião, Lula afirmou que não interferiria na Polícia Federal e que Lulinha deveria prestar os esclarecimentos necessários. A posição adotada agora por Marco Aurélio envolve, no mesmo episódio, autoridades com quem ele já havia tratado diretamente na defesa do filho de Lula. A coincidência de funções não demonstra relação entre os dois assuntos.



