John Ternus assumiu o cargo de presidente-executivo da Apple com uma estreia discreta nas redes sociais e o desafio de encontrar novos caminhos para os produtos da empresa. Sua primeira manifestação pública como CEO foi uma publicação de uma única palavra no X: “Olá”. Na sexta-feira (4), ele já havia conquistado quase 1 milhão de seguidores.
Aos 51 anos, Ternus é engenheiro de hardware e trabalha na Apple há 25 anos. Conhecido internamente pela competência e pela pouca exposição pública, ele sucede Tim Cook, que permanecerá na companhia como presidente-executivo do conselho.
Uma sucessão planejada
A transição oficial durou quatro meses. Nesse período, Ternus acompanhou Cook discretamente em algumas aparições públicas, incluindo a reunião anual da Berkshire Hathaway. Para Wamsi Mohan, analista sênior do Bank of America, a permanência de Cook por algum tempo ajuda a manter a confiança na mudança de comando.
Cook teria planejado a sucessão desde os primeiros anos à frente da Apple, por considerar essa uma de suas tarefas mais importantes. A própria passagem de comando para Cook havia sido prolongada e difícil devido à doença de Steve Jobs.
A Apple agora vale US$ 4,7 trilhões (R$ 24,1 trilhões), enquanto sua cadeia de suprimentos está no centro de tensões geopolíticas. As ações subiram 18% neste ano, em parte porque a empresa decidiu não entrar na disputa mais cara pela construção de infraestrutura de inteligência artificial. Ao mesmo tempo, o crescimento das vendas de produtos desacelerou, e investidores esperam dispositivos capazes de voltar a mobilizar o mercado.
Da engenharia ao topo
Ternus nasceu e cresceu na Califórnia, é casado e tem filhos. Colegas da escola lembram que ele era um excelente nadador. Ele estudou engenharia mecânica na Universidade da Pensilvânia e concluiu a formação em 1997, no mesmo ano em que Elon Musk se graduou.
Depois de trabalhar na empresa de realidade virtual Virtual Research Systems, entrou para a equipe de produtos da Apple em 2001. Em um discurso de formatura em 2024, ao lembrar o primeiro dia na companhia, afirmou: “Para ser sincero, não tinha certeza de que pertencia àquele lugar”.
Sua trajetória foi marcada por uma progressão constante. Ternus participou da transição dos computadores pessoais da Apple do plástico para o metal de acabamento sofisticado e esteve envolvido no desenvolvimento dos AirPods.
Dan Riccio foi um de seus primeiros mentores importantes. Riccio estruturou a equipe original de design de produtos do iPhone e depois se tornou vice-presidente sênior de engenharia de hardware. Em 2021, Ternus o substituiu no cargo e liderou o esforço da Apple para integrar seus próprios chips aos Macs.
Wendell Weeks, presidente-executivo da Corning, fornecedora de vidro da Apple, conhece Ternus desde o desenvolvimento do iPad, quase duas décadas atrás. Weeks o descreve como humilde e dedicado, além de destacar seu interesse por dirigir carros de corrida.
Pressão por inovação
Embora seja o primeiro engenheiro de produto a comandar a Apple, Ternus representa continuidade por ter sido formado na geração orientada por Jobs. Ele também usa expressões associadas ao antigo CEO, como “o Mac é a bicicleta para a mente”.
Relatos de que Ternus era cético em relação ao Vision Pro indicam uma preferência por produtos que as pessoas queiram usar, em vez de propostas novas e arriscadas. O headset de realidade virtual acabou se revelando um fracasso comercial.
Na primeira mensagem aos funcionários, porém, Ternus demonstrou estar consciente da necessidade de recuperar a empolgação associada à era de produtos de Jobs. Ele afirmou estar animado com produtos “que ainda nem imaginamos, que vamos sonhar e criar juntos”.
A primeira grande aparição de Ternus como CEO ocorrerá na quarta-feira (9), durante o lançamento anual do iPhone. A expectativa é que ele apresente o primeiro iPhone dobrável.
A mudança de comando foi celebrada com uma festa no Apple Park na terça-feira, que teve apresentação de Zane Lowe, diretor criativo da Apple Music. Um funcionário, no entanto, disse que já estava tão acostumado à troca de CEO que não considerou necessário participar.



