ASSUNÇÃO — A investigação aponta que João Batista Vieira dos Santos administrava recursos de atividades do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele foi preso nesta quinta-feira (3), em uma casa na capital paraguaia, durante uma ação conjunta das polícias brasileira e paraguaia com a agência antidrogas dos Estados Unidos.
A polícia afirma que João Batista era braço direito de um integrante do conselho da facção. O delegado Antenor Pimentel, da Draco (Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Mato Grosso), também o identifica como coordenador da rede de jogos de azar do grupo, baseada em raspadinhas clandestinas.
Com o suspeito, foram apreendidos três documentos falsos. Ele era procurado por suspeitas de exploração ilegal de jogos, lavagem de capitais, tráfico e associação para o tráfico de drogas, participação em organização criminosa e fraude processual. Depois da prisão, foi levado à sede da Polícia Federal em Curitiba, onde continua detido.
Cobranças e investigação financeira
Mensagens e chamadas de vídeo reunidas durante a apuração exibiram planilhas com valores arrecadados nos pontos de venda, quantidade de bilhetes comercializados e repasses. As conversas indicam, conforme a investigação, que pessoas endividadas eram cobradas com ameaças e violência.
Mesmo foragido, João Batista publicava nas redes sociais imagens em bares, durante treinos e empunhando um fuzil, segundo a investigação. Antes de seguir para o Paraguai, ele passou um período no Rio de Janeiro sob proteção do Comando Vermelho, de acordo com o delegado.
Outros registros
João Batista tem registros criminais relacionados à construção de um túnel que seria usado para resgatar presos da Penitenciária Central do Estado, em Cuiabá, em 2022. A polícia também o aponta como integrante de quadrilhas do novo cangaço.
No fim de 2025, a Draco apreendeu quase duas toneladas de maconha em uma chácara ligada a ele, em Cuiabá. Quatro pessoas foram presas. A análise dos celulares apreendidos levou os investigadores a apontá-lo como um dos donos da droga.
O delegado Antenor Pimentel ainda investiga como João Batista obteve laudos médicos que atestam insanidade mental. Os documentos foram usados em quatro processos, que terminaram em absolvição imprópria. Para a polícia, os laudos não são compatíveis com o comportamento observado pelos investigadores. A polícia não informou se o suspeito tem advogado.



