O Flamengo voltou a criticar a possibilidade de proibição das casas de apostas esportivas no Brasil. A medida tinha previsão de ser anunciada nesta sexta-feira (25), e o clube divulgou uma nota com questionamentos sobre os efeitos da mudança no futebol e em outros esportes.
Na avaliação do Flamengo, o país passou anos discutindo a regulamentação do setor. Depois da aprovação pelo Congresso e da regulamentação pelo governo, empresas fizeram investimentos, pagaram para operar legalmente e passaram a seguir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
O clube afirma que uma alteração repentina pode afetar a segurança jurídica de empresas e instituições que assumiram compromissos de longo prazo com base nas regras estabelecidas pelo Estado. A nota ressalva que nenhuma regulamentação é intocável e que as normas podem ser aperfeiçoadas, inclusive com punições para quem descumprir a lei.
Mercado ilegal
Para sustentar a preocupação com o avanço das plataformas clandestinas, o Flamengo citou uma pesquisa do Instituto Locomotiva realizada em maio de 2026, em todo o país, com 2.291 apostadores. Um estudo da LCA Consultores baseado nesse levantamento estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas ilegais.
A participação estimada do mercado clandestino, segundo os dados mencionados na nota, caiu após a regulamentação. Em 2025, a faixa era de 41% a 51%. No primeiro semestre de 2026, passou para 38% a 44%.
O clube argumenta que proibir as empresas legalizadas não elimina as apostas e pode abrir espaço para o crescimento do mercado ilegal. Também afirma que a mudança pode reduzir a arrecadação pública gerada por impostos e destinações previstas em lei.
Efeitos no esporte
O Flamengo diz que uma decisão desse porte atingiria o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos. A nota também menciona possíveis impactos sobre empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas e prestadores de serviços.
O clube já havia assinado, com outros times do Brasileirão, o manifesto “Fim do Futebol”, contrário à proposta do Governo. A Betano, patrocinadora máster do Flamengo, comunicou informalmente a possibilidade de encerrar o contrato.
O acordo prevê R$ 268 milhões por temporada até 2028 e ficaria em risco caso a proibição avance. Diante disso, o Rubro-Negro avalia alternativas para ocupar o espaço no uniforme, entre elas a Lubrax. Clubes das Séries A e B também negociam crédito com o BNDES para reduzir o impacto financeiro.
Ao final da nota, o Flamengo defende o combate ao jogo ilegal e a proteção da população, mas afirma que o país também deve preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade das instituições esportivas.



