A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF), em meio às investigações da Polícia Federal sobre fraudes financeiras no extinto Banco Master, divide a avaliação de especialistas sobre seus efeitos nas eleições de 2026. Parte deles considera que o episódio pode influenciar a escolha do eleitorado; outros avaliam que temas como economia, saúde e segurança pública terão mais peso nas urnas em 4 de outubro.
Para Daniel Machado, historiador e profissional de marketing político, o STF não vai definir sozinho o resultado, mas deve alterar o ambiente da disputa. Ele afirma que a crise estará presente de forma simbólica nas campanhas, reforçando a polarização entre esquerda e direita, os discursos antissistema e a importância da eleição para o Senado.
O consultor em marketing e comunicação política Adriano Mariano Strazzi também vê impacto sobre a democracia. Segundo ele, a crise no Supremo repercute no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, cuja imagem, na avaliação do consultor, ficou associada à Corte após o julgamento da tentativa de golpe de Estado que resultou na prisão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Strazzi defende a quebra do sigilo das investigações envolvendo o caso Master.
Indecisos e rejeição
O cientista político Paulo Diniz, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), considera a eleição indefinida e prevê uma disputa voto a voto até os momentos finais, como em 2022. Para ele, o grupo de indecisos será decisivo, enquanto a crise no STF não é acompanhada pela maioria dos eleitores.
A rejeição dos principais candidatos também aparece como fator relevante. Segundo pesquisa da Quaest divulgada na segunda-feira (7), Flávio Bolsonaro tem 55% de rejeição, contra 53% de Lula. O cientista político e professor aposentado da UFMG Carlos Ranulfo afirma que a crise beneficiou Flávio Bolsonaro inicialmente, mas não reduziu seu índice de rejeição.
Diniz avalia que as campanhas de PL e PT priorizam elevar a rejeição do adversário, em vez de reduzir a própria resistência entre os eleitores.
Disputa institucional
Adriano Gianturco, cientista político e coordenador do curso de relações internacionais do Ibmec de Belo Horizonte, afirma que os dois lados da disputa no STF não devem fazer concessões rápidas antes da definição do cenário político após as urnas. Entre os fatores citados estão os governadores e as bancadas no Senado, que podem julgar ministros do Supremo.
Na avaliação de Gianturco, Flávio Bolsonaro tem explorado a crise para associar Lula ao ministro Alexandre de Moraes. Durante um ato de campanha de 7 de setembro, na avenida Paulista, o candidato prometeu encerrar o que chamou de “consórcio” entre Lula e Moraes. O professor considera provável a realização de segundo turno e defende que os dois adversários busquem eleitores fora da polarização entre esquerda e direita.



