A indústria baiana pode perder R$ 1,4 bilhão nas exportações para os Estados Unidos após o governo de Donald Trump oficializar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O valor corresponde a 33,2% de tudo que a Bahia vendeu ao mercado norte-americano em 2025, segundo a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
O impacto estimado equivale a 273 milhões de dólares e está concentrado em três setores. Papel e celulose respondem por 38,1% do total afetado, com US$ 104 milhões, equivalentes a R$ 531,4 milhões. Em seguida aparecem borracha e plásticos, principalmente pneus, com 28,7%, ou US$ 78,5 milhões e R$ 401 milhões.
Os produtos químicos representam 22,6% do montante, somando US$ 61,8 milhões e R$ 315,8 milhões. Nesse grupo, o foco está nos petroquímicos básicos produzidos no Polo de Camaçari.
Celulose solúvel preocupa
A Fieb considera a celulose solúvel o caso mais preocupante. O produto é o principal item da pauta baiana de exportações para os Estados Unidos e chegou a aparecer em uma lista provisória de isenções, mas ficou fora da versão definitiva. Entre 2024 e 2026, as vendas desse item registraram queda de 36%.
A entidade informou que atua com o Governo Federal, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e órgãos governamentais. A recomendação é priorizar a diplomacia para tentar incluir novamente a celulose solúvel, os pneumáticos e os produtos químicos na lista de isenções.
Sobre uma possível aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, a Federação defende cautela. “Qualquer resposta deve ser calibrada, seletiva e baseada em estudos de impacto setoriais”, informou a Fieb em nota.
A entidade afirma que uma retaliação ampla poderia encarecer máquinas e matérias-primas importadas dos Estados Unidos que não têm substitutos imediatos, aumentando os custos de produção na Bahia. A Federação também defende medidas rápidas de apoio às empresas afetadas, especialmente pequenas e médias indústrias, e diz que monitora os efeitos da tarifa e orienta as empresas sobre o enquadramento de seus produtos.



