O livro-reportagem 1968 — O ano que não terminou, de Zuenir Ventura, foi uma das bases usadas por Gilberto Braga para criar a minissérie Anos Rebeldes, exibida pela TV Globo em 1992. A obra de Ventura havia sido lançada em 1988 e reunia fatos do período mais violento da ditadura militar iniciada em 1964.
Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22). A participação de seu trabalho na produção da TV Globo ocorreu por meio da pesquisa utilizada para desenvolver a trama, que tinha Cláudia Abreu, Cássio Gabus Mendes, Malu Mader, Marcelo Serrado e Pedro Cardoso no elenco.
Personagem de Cláudia Abreu
Gilberto Braga considerava Heloísa, interpretada por Cláudia Abreu, a melhor personagem que havia criado. Em entrevista publicada no livro Autores – Histórias da Teledramaturgia, lançado em 2008 em um projeto da Memória Globo com a Editora Globo, o autor afirmou: “Acredito que seja o melhor papel que criei. Era uma heroína típica, arrebatada”.
No capítulo final, Heloísa foi assassinada ao tentar deixar o país. A história relacionou o destino da personagem à repressão da ditadura militar, marcada por torturas e humilhações contra presos políticos. A sequência foi exibida em 14 de agosto de 1992, na mesma data em que estudantes participaram de uma passeata no Rio de Janeiro pelo afastamento do então presidente Fernando Collor.
Os estudantes, conhecidos como caras-pintadas, cantavam Alegria, Alegria, de Caetano Veloso, música que fazia parte da abertura da minissérie. Heloísa, vivida por Cláudia Abreu, era considerada uma musa do movimento. Em 29 de dezembro daquele ano, Collor renunciou ao cargo.



