A televisão aberta brasileira perdeu, ao longo das décadas, emissoras que ajudaram a transformar o jornalismo, o entretenimento, a dramaturgia e a transmissão esportiva. Entre os motivos para os encerramentos estão dívidas, disputas judiciais, escândalos políticos, problemas administrativos e decisões do governo federal.
Canais que marcaram gerações
A MTV Brasil estreou em 20 de outubro de 1990, em uma parceria entre o Grupo Abril e a Viacom. Astrid Fontenelle apresentou o primeiro videoclipe exibido pela emissora, que também ficou conhecida pelos VJs e pelos programas Acústicos MTV. Com a mudança no mercado fonográfico e o crescimento da internet, a manutenção da marca se tornou inviável. Os direitos voltaram integralmente para a Viacom em 30 de setembro de 2013, encerrando a operação do canal na televisão aberta.
Lançada em setembro de 1991 no canal 16 UHF, a TV Jovem Pan apostou em tecnologia japonesa e em uma torre de transmissão na Avenida Paulista. A emissora enfrentou disputas judiciais entre acionistas e uma CPI aberta em 1992 para investigar fraudes e sonegação fiscal. Sem recursos para continuar, os proprietários venderam a estrutura para a Record em 1995.
O canal 16 UHF também recebeu o Shop Tour, projeto de vendas diretas liderado por Luiz Galebe. Depois de mais de uma década de funcionamento, a empresa enfrentou polêmicas familiares e um processo movido por Tina, ex-esposa e ex-sócia do apresentador. As condenações e indenizações passaram de 800 mil reais. Com as dívidas, o canal deixou de operar gradualmente até ser extinto em 2010.
A Rede Mulher começou em agosto de 1994, levando para a televisão uma proposta associada à Rádio Mulher. A programação abordava temas como bem-estar e saúde, com nomes como Solange Frazão. Em 1999, a emissora foi adquirida pela Igreja Universal do Reino de Deus e passou por mudanças em sua linha editorial. O canal foi desativado em 27 de setembro de 2007 para dar lugar à Record News.
Dívidas, política e mudanças de controle
Fundada por Adolfo Bloch em 5 de junho de 1983, a Rede Manchete ganhou espaço com produções como Pantanal e Dona Beija e com atrações infantis apresentadas por Angélica e Xuxa. O padrão de produção elevou os custos, enquanto as dívidas levaram a empresa à crise e à falência. Funcionários e sindicalistas chegaram a ocupar os transmissores da torre do Sumaré em protesto contra salários atrasados. Depois de tentativas frustradas de venda a investidores estrangeiros, a estrutura foi transferida em 1999 para os responsáveis pela criação da RedeTV!.
A TVE Brasil funcionava no Rio de Janeiro desde 1975, com conteúdo cultural, educativo e pedagógico. Sua trajetória independente terminou em 2007, após um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva reformular a comunicação do governo federal. A fundação responsável pela emissora foi extinta, e seu patrimônio técnico e humano passou a integrar a TV Brasil.
Criada na década de 80, a Rede OM contratou Galvão Bueno em 1992 para comandar transmissões de futebol e da Copa Libertadores da América. No ano seguinte, José Carlos Martinez, fundador da rede, foi citado em CPIs ligadas ao caso PC Farias. A repercussão afastou anunciantes, provocou demissões e gerou processos trabalhistas. Em maio de 1993, a emissora mudou de nome e passou a usar a marca CNT.
As pioneiras da televisão
A TV Tupi foi inaugurada por Assis Chateaubriand em setembro de 1950 e é apresentada como a primeira emissora de televisão da América Latina. Depois de décadas na liderança de audiência, acumulou problemas administrativos e dívidas trabalhistas. Em julho de 1980, o governo federal cassou suas concessões de sinal, tirando a rede do ar.
A TV Excelsior se destacou na década de 60 pela produção de telenovelas diárias e festivais de música popular brasileira. Incêndios nos estúdios, dificuldades financeiras e conflitos políticos com o regime militar levaram à intervenção estatal. A emissora fechou em 1970.
Também foi desativada em 1967 a Rede de Emissoras Unidas, que havia integrado os mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro na década de 1950. O fim ocorreu após desentendimentos comerciais entre as diretorias das redes parceiras que compunham o bloco de transmissão.



