A curva de juros passou a indicar um cenário mais favorável para cortes da Selic do que o projetado no Boletim Focus. A mediana das estimativas dos economistas ainda prevê a taxa em 13,75% no fim de 2026, o que corresponde a apenas uma redução de 0,25 ponto a partir do nível atual.
Nas opções de Copom, porém, a possibilidade de redução em setembro ganhou forte predominância. Para a reunião de 15 e 16 de setembro, a chance de um corte de 0,25 ponto percentual chegou a 94,9%.
O encontro de 3 e 4 de novembro também passou a ter a redução de 0,25 ponto como resultado mais provável. A manutenção da Selic, que reunia a maior parte das apostas semanas atrás, perdeu espaço nesse cenário.
Para dezembro, o mercado começa a incorporar uma nova etapa de cortes. Na reunião de 8 e 9, as apostas por uma redução de 0,25 ponto já superam as de manutenção da taxa. Também aumentaram as projeções para cortes maiores.
Com isso, a parcela do mercado que efetivamente investe recursos, conhecida como buy side, já trabalha com pelo menos dois cortes e começa a considerar um terceiro movimento ainda neste ano. O sell side, que não coloca dinheiro em jogo, costuma levar mais tempo para refletir mudanças na percepção dos investidores.
A diferença entre as opções e o Focus aparece durante uma mudança de ciclo dos juros. Enquanto o mercado financeiro ajusta suas posições, a mediana das projeções dos economistas permanece concentrada em uma trajetória mais limitada para a Selic.



