EINDHOVEN — A ASML prepara uma expansão da capacidade produtiva enquanto fabricantes de chips antecipam a adoção de sua tecnologia mais avançada. A empresa holandesa informou que a procura por equipamentos usados na produção de semicondutores para inteligência artificial superou as expectativas, e que as máquinas EUV estão praticamente comprometidas até 2027.
O movimento também envolve a próxima geração de equipamentos, chamada High NA. TSMC, Samsung e SK Hynix já estabeleceram datas para começar a utilizar a tecnologia em produção. A Intel, pioneira na adoção, afirmou que os equipamentos alcançaram os níveis exigidos de produtividade e confiabilidade.
Expansão e novos pedidos
A construção de uma nova fábrica da ASML em Eindhoven foi inaugurada na semana passada. No mesmo período, o diretor financeiro Roger Dassen relatou uma mudança no comportamento dos clientes diante do avanço da inteligência artificial. “Vocês conseguem me entregar mais? Conseguem entregar mais rápido?”, teria sido o tom de uma conversa recente com um grande comprador.
Cada máquina EUV é vendida por cerca de US$ 200 milhões. Já os sistemas High NA custam aproximadamente US$ 400 milhões por unidade, cerca do dobro. A nova tecnologia consegue imprimir estruturas cerca de 40% menores do que os sistemas EUV convencionais, o que pode reduzir etapas de fabricação e elevar a produtividade.
A TSMC havia questionado anteriormente se o preço do High NA justificava a adoção, mas se comprometeu a utilizar a tecnologia a partir de 2030. A Samsung e a SK Hynix começarão a fabricar chips de memória com esses equipamentos em 2028. A Micron já encomendou máquinas, mas ainda não definiu quando iniciará a produção.
A Intel informou que já processou mais de 1 milhão de wafers com equipamentos High NA. Segundo Christophe Fouquet, presidente-executivo da ASML, o limite para a adoção da tecnologia é menor entre fabricantes de memória por causa do tamanho reduzido dos chips produzidos por essas empresas.
Posição dominante
A ASML detinha 94% do mercado global de litografia em 2025, segundo uma estimativa do JPMorgan. Na faixa mais avançada da tecnologia, a companhia mantém, desde o fim da década de 2010, o monopólio das máquinas que utilizam luz ultravioleta extrema, conhecida pela sigla EUV.
Esses equipamentos são usados na fabricação dos menores circuitos presentes nos chips comerciais de inteligência artificial mais poderosos. A primeira unidade do High NA foi entregue em 2023. A ASML não tem concorrentes comerciais em EUV; Nikon e Canon, do Japão, além de novos competidores chineses, produzem sistemas baseados em DUV, uma tecnologia mais antiga.
Os compromissos assumidos pelos fabricantes indicam que o setor continua apostando na redução das dimensões dos circuitos para melhorar o desempenho dos chips. A ASML avalia que essa dinâmica pode sustentar sua posição dominante no mercado de máquinas de litografia até a década de 2030. “Para ser sincero, não acho que estejamos no fim do boom da IA”, afirmou Fouquet.




