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Xico Sá revive a caçada a PC Farias em trecho de novo livro

Em “O Tesoureiro”, escritor relembra a busca pelo tesoureiro de Collor e a atmosfera política de 1993.

Xico Sá revive a caçada a PC Farias em trecho de novo livro
Foto: Folhapress

Xico Sá relembra a busca por Paulo César Farias, o PC Farias, em um trecho de O Tesoureiro, livro que será publicado pela Todavia. O relato recupera a atmosfera de meados de 1993, quando o desaparecimento do tesoureiro de Fernando Collor mobilizava perguntas por todo o país.

Na época, Sá era repórter e tentava descobrir onde PC Farias estava. A informação obtida por ele indicava que o empresário havia viajado para Londres. PC seria preso na Tailândia meses depois e condenado pelo STF no ano seguinte. Em 1996, foi encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino. O crime não foi esclarecido.

A perseguição ao desaparecido

No livro, o jornalista compara a procura a uma investigação improvisada e conta que a pergunta sobre o paradeiro de PC o acompanhava pelas ruas de São Paulo. O caso era tratado como uma novela de sucesso e, naquele momento, despertava mais interesse do que o coronel José Inocêncio, personagem de “Renascer”, exibida pela TV Globo.

A rotina de Sá incluía ligações de madrugada para uma fonte que usava o nome Brigitte Montfort. Ela trabalhava na boate Coquetel Drink's, em Maceió, e costumava tranquilizá-lo sobre a investigação. O jornalista também recorda a companhia do gato Bulgakov e as conversas com a mãe, Maria do Socorro, que telefonava de Juazeiro do Norte para perguntar: “Cadê PC Farias?”.

O texto apresenta ainda personagens e ambientes ligados à cobertura, como Mestre Libânio, conhecido como Charles Bronson, dono da boate Farewell, em São Paulo. Sá descreve as histórias sobre PC contadas no estabelecimento enquanto o pianista tocava uma trilha de suspense.

Política e dinheiro

PC Farias é retratado como o tesoureiro responsável pela arrecadação da campanha de Collor e como uma figura central na ascensão e na queda do presidente. A Polícia Federal estimou em “Pelo menos US$ 1 bilhão” o valor desviado da máquina pública, enquanto PC reagiu chamando a cifra de “Chute faraônico da porra”.

O relato também aborda o medo empresarial diante da possibilidade de vitória de Leonel Brizola ou Lula da Silva em 1989. Segundo o trecho, empresários direcionaram dólares ao comitê do Partido da Reconstrução Nacional (PRN), em um período de inflação superior a 1000% ao ano.

A Fiat Elba aparece como símbolo da primeira prova documentada do dinheiro ligado ao esquema Collor-PC. Antes da divulgação do caso pela CPI do Congresso, Sá recebeu uma carta anônima sobre a reforma de um apartamento de Collor no bairro do Farol, em Maceió. A partir das informações, confirmou a ligação entre o pagamento da obra e o círculo do presidente.

Ao rememorar aquele período, o autor contrasta o trabalho jornalístico anterior à internet comercial, que chegaria ao país em 1995, com as ferramentas disponíveis em 2026. Para ele, a investigação dependia de deslocamentos, conversas com fontes, documentos e informações obtidas diretamente nas ruas e nos gabinetes.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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