As small caps brasileiras negociam próximas de 12 vezes o lucro, abaixo das médias históricas, mas o JPMorgan considera que o desconto ainda não justifica uma exposição mais agressiva. O banco aponta que essas empresas também apresentam dividend yield elevado e geração de caixa atrativa, porém continuam mais vulneráveis ao cenário de juros altos e à piora do crédito.
A avaliação faz parte de um relatório global sobre companhias de menor capitalização. No documento, o JPMorgan afirma que as condições financeiras permanecem restritivas em grande parte da América Latina, limitando a reavaliação de empresas voltadas principalmente ao mercado doméstico.
No Brasil, a instituição mantém posição neutra em ações. A análise considera que o ciclo de afrouxamento monetário está perto do fim, enquanto a atividade econômica perde força e o ciclo de crédito se deteriora. A aproximação das eleições presidenciais de 2026 também é apontada como fator de incerteza para os investidores.
O banco observa ainda que o real tem um dos maiores retornos de carregamento entre as moedas emergentes, mas já aparece em uma posição considerada “sobrecomprada” por parte do mercado. Para o JPMorgan, essa combinação pode deixar os ativos brasileiros mais expostos a episódios de volatilidade nos próximos meses.
Mesmo com os riscos, o Brasil está entre os países que podem se beneficiar do chamado bônus eleitoral, ao lado de Chile e Argentina. Isso dependeria do fortalecimento de expectativas por políticas mais ortodoxas e comprometidas com ajuste fiscal ao longo do próximo ano.
A preferência do JPMorgan está concentrada em companhias de grande porte, especialmente exportadoras de commodities. Essas empresas são vistas como mais preparadas para atravessar o ambiente atual por apresentarem maior liquidez, balanços mais sólidos e lucros mais previsíveis.
“Nosso estrategista para a região mantém uma postura taticamente cautelosa em relação a empresas de pequeno e médio porte (SMid-Caps) até setembro”, afirma o banco no relatório. A instituição diz que o cenário macroeconômico ainda favorece as large caps ligadas a commodities, apoiadas pela visibilidade dos lucros, pela demanda global e pelo interesse de investidores estrangeiros.
Entre os fatores que sustentam essa preferência estão um cenário de petróleo mais elevado, a infraestrutura global, os investimentos relacionados à inteligência artificial e possíveis impactos climáticos sobre a oferta de matérias-primas. Segundo o banco, esses elementos podem manter preços favoráveis para diversos produtos básicos.
A participação relevante de setores ligados a commodities nos índices latino-americanos beneficia grandes empresas de países exportadores como Brasil, Chile e Peru. Para o mercado brasileiro, o JPMorgan avalia que o chamado trade eleitoral pode continuar apoiando os ativos locais, mas recomenda concentração em exportadoras de grande porte e companhias defensivas. As small caps, na avaliação da instituição, precisam de condições melhores para juros, crédito e crescimento doméstico para voltar a atrair fluxos de maneira mais consistente.




