Salvador, Quarta-feira, 16 de setembro de 2026
Salvador 24°C 23° / 28° Mega-Sena 3058: 14 · 23 · 53 · 56 · 57 · 60
Perto de você
Brasil

FDA aprova daraxonrasib para casos avançados de câncer de pâncreas

Novo tratamento aumentou a sobrevida mediana e reduziu o risco de morte em estudo com pacientes com adenocarcinoma pancreático metastático.

FDA aprova daraxonrasib para casos avançados de câncer de pâncreas

A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, aprovou, no dia 26 de agosto, o daraxonrasib para adultos com adenocarcinoma pancreático metastático. O medicamento é a primeira terapia-alvo aprovada para câncer de pâncreas com atuação sobre proteínas RAS.

A autorização é voltada a pacientes que já passaram por pelo menos um tratamento sistêmico ou que não podem receber quimioterapia combinada. No estudo RASolute-302, que reuniu 500 pacientes, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses entre os que receberam daraxonrasib, contra 6,7 meses no grupo tratado com quimioterapia padrão.

Os resultados foram apresentados em maio de 2026, durante o congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO). Ao longo do acompanhamento, o medicamento foi associado a uma redução de 60% no risco de morte. O período mediano sem progressão da doença passou de 3,6 para 7,2 meses.

A taxa de resposta objetiva, que mede a proporção de pacientes com redução dos tumores, foi de 31,6% com o novo medicamento e de 11,2% com a quimioterapia. Eventos adversos de grau 3 ocorreram em 43,6% dos pacientes que receberam daraxonrasib e em 57,5% daqueles submetidos à quimioterapia.

Como o medicamento atua

O daraxonrasib interfere na comunicação molecular que orienta as células a crescer e se dividir. Nesse processo, as proteínas RAS funcionam como transmissores de sinais. Uma delas é a KRAS, produzida a partir do gene de mesmo nome.

Mutações no gene KRAS aparecem em mais de 90% dos adenocarcinomas ductais pancreáticos, o tipo mais frequente da doença. Em situação normal, a proteína é ativada para transmitir uma ordem e depois retorna ao estado inativo. Algumas mutações mantêm esse comando ligado, favorecendo a multiplicação e a sobrevivência das células tumorais.

Durante muito tempo, as proteínas RAS foram consideradas alvos difíceis para medicamentos por causa de sua estrutura, da variedade de proteínas da família e das diferentes mutações que podem mantê-las ativas. O daraxonrasib foi desenvolvido para alcançar várias formas ativas dessas proteínas, em vez de se concentrar apenas em uma alteração específica.

Para isso, o medicamento se associa à ciclofilina A, uma proteína existente nas células. O complexo formado bloqueia a ligação das proteínas RAS ativas com outras responsáveis por levar o sinal adiante. Com a interrupção dessa comunicação, diminui o estímulo para que as células cancerosas cresçam, sobrevivam e se multipliquem.

Desafios do câncer de pâncreas

No Brasil, são estimados 13.240 novos casos por ano entre 2026 e 2028. O número corresponde a 2,6% dos cerca de 518 mil casos anuais previstos, sem considerar o câncer de pele não melanoma. Quando esses tumores são excluídos, o câncer de pâncreas ocupa a nona posição entre os mais frequentes no país.

A doença costuma ser identificada em fases avançadas. Sintomas como dor nas costas, perda de peso, alterações digestivas e fadiga podem ser confundidos com problemas mais comuns. O próprio tumor também apresenta características que dificultam o tratamento, como a formação de tecido fibroso ao redor das células cancerosas e mecanismos que reduzem a ação do sistema imunológico.

Essas barreiras ajudam a explicar por que terapias-alvo e imunoterapias tiveram impacto mais limitado no câncer de pâncreas do que em outros tipos de tumor. O desenvolvimento do daraxonrasib faz parte do avanço da pesquisa translacional, que busca levar descobertas do laboratório para o atendimento aos pacientes. No Brasil, organizações como o Einstein reúnem assistência, ensino, pesquisa e inovação nesse processo.

Vacinas terapêuticas ainda estão em estudo

Outra linha de pesquisa tenta estimular o sistema imunológico a identificar características próprias das células cancerosas. As vacinas terapêuticas são aplicadas depois do diagnóstico e podem ser produzidas a partir da análise genética do tumor retirado durante a cirurgia.

O objetivo é localizar neoantígenos, moléculas que surgem nas células tumorais por causa de mutações, e usar essas informações para estimular células T de defesa. Em um estudo inicial, a vacina autogene cevumeran, também chamada de RO7198457, foi combinada com outros tratamentos em pacientes operados por câncer de pâncreas. Após acompanhamento mediano de 3,2 anos, as células T induzidas continuavam detectáveis em parte dos participantes, que apresentaram mais tempo sem recorrência.

O estudo teve poucos pacientes e não foi planejado para comprovar redução da recorrência ou aumento da sobrevida. Outra vacina experimental, a ELI-002 2P, busca ativar células T contra proteínas KRAS com as mutações G12D e G12R. Na avaliação inicial com 25 pacientes — 20 com câncer de pâncreas e cinco com câncer colorretal —, 84% apresentaram resposta de células T contra KRAS.

Esses resultados ainda são preliminares. Enquanto o daraxonrasib atua diretamente na sinalização das proteínas RAS, as vacinas tentam fazer o sistema imunológico reconhecer as células tumorais. Outras estratégias para atingir RAS e enfrentar mecanismos de crescimento, resistência aos medicamentos e evasão imunológica continuam em investigação.

Texto produzido pela Redação Pauta Viva com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.