Leonardo Sakamoto afirma que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e aliados aproveitaram a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar a votação da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da escala 6×1. A análise aponta que a articulação ocorreu enquanto os desdobramentos do escândalo do Banco Master dominavam o noticiário.
A proposta foi aprovada sem dificuldade na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), na quarta (2). Depois disso, Flávio procurou Davi Alcolumbre e afirmou que a votação poderia desequilibrar as eleições. O presidente do Senado anunciou que a matéria deve ser analisada ainda em 2026, mas somente após as eleições.
Apoio à proposta
Defensores do fim da escala 6×1 no governo avaliam que o adiamento pode dificultar a aprovação da PEC. Dois terços do Senado estarão em disputa nesta eleição, o que era considerado um incentivo para que parlamentares apoiassem a mudança.
Na Câmara, 472 dos 513 deputados aprovaram a proposta. O apoio também alcançou parlamentares que haviam feito críticas ao texto. Pesquisas mencionadas na análise indicam que cerca de 70% da população é favorável ao fim da escala 6×1, com apoio entre eleitores de diferentes correntes ideológicas.
A aprovação da PEC é apresentada como uma aposta do presidente Lula (PT) para melhorar sua popularidade na reta final da campanha.
Flávio tentou inicialmente aprovar uma proposta de remuneração por hora trabalhada, sob o argumento de que ela daria mais flexibilidade aos trabalhadores. A medida, porém, manteria a escala 6×1 como limite e deixaria eventuais reduções da jornada para negociação entre patrão e empregado.

Disputa na CCJ
A PEC da Hora Trabalhada não avançou na CCJ. Na comissão, Rogério Marinho (PL-RN), autor da proposta alternativa da oposição e coordenador da campanha de Flávio, pediu vista. A análise foi retomada uma hora depois, e a tentativa de incorporar trechos da proposta alternativa ao texto do fim da escala 6×1 foi rejeitada pelos demais senadores.
Marinho afirmou que reduzir a jornada sem diminuir salários elevaria os custos. O comentário provocou reação de Omar Aziz (PSD-AM), relator da matéria, que questionou se os deputados do PL favoráveis à proposta na Câmara também seriam considerados incompetentes ou burros.
Apenas 11 dos 97 deputados do PL votaram contra o fim da escala 6×1, em maio.
Apesar de criticar a mudança, Flávio não declarou publicamente que votaria contra a PEC. Ele disse que apoiaria a proposta apresentada por seu grupo. “Nós vamos trabalhar pela liberdade, para que o trabalhador brasileiro possa escolher a sua própria carga horária de trabalho ou como é que vai trabalhar”, afirmou.
A análise também relata que o senador suspendeu agendas de campanha para participar das articulações contra a aprovação da medida.



